A fundação da Escola D. Num'Alvares ocorreu em 14 de agosto de 1921. A instituição foi estabelecida sob a égide do Centro D. Num'Alvares, com o objetivo principal de oferecer cursos noturnos para a comunidade de emigrantes portugueses no Rio de Janeiro. A primeira sede localizava-se na Avenida Passos, 106, e a escola iniciou suas atividades sob a direção do Sr. Francisco Vieira da Silva.
A escola foi nomeada em homenagem a Nuno Álvares Pereira, também conhecido como o Santo Condestável (1360–1431), que desempenhou papel fundamental na crise de 1383–1385, encerrada com a vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota — confronto decisivo que assegurou a independência de Portugal em relação a Castela.
Ainda hoje, na entrada principal da escola, há um painel de azulejos que retrata o Mosteiro da Batalha, monumento cuja construção foi iniciada em 1386, por ordem do rei D. João I de Portugal, em agradecimento à Virgem Maria pela vitória sobre os castelhanos em Aljubarrota.
O Jornal da Noite de 23 de janeiro de 1922 (página 3) noticiou o primeiro aniversário do Centro D. Nuno Alvares Pereira e, no mesmo texto, fez menção à Escola Nuno Alvares Pereira.
<O primeiro aniversário do Centro D. Nuno Alvares Pereira. O transcurso do primeiro aniversário do Centro Lusitano D. Nuno Alvares Pereira será comemorado hoje (23/01/1922), com uma sessão solene, às 8 horas da noite, na sede à rua General Câmara n. 189, 1º andar. Ao mesmo tempo essa festa será comemorativa da fundação da Escola D. Nuno Alvares Pereira.>
O primeiro aniversário do Centro D. Nuno Alvares Pereira. Jornal A Noite, Rio de Janeiro, 23 jan. 1922, p.3.
A existência e as atividades iniciais da escola são corroboradas pela imprensa da época. Como evidenciado na edição de 26 de janeiro de 1922 do jornal O Paiz, uma nota sobre o aniversário do Centro Lusitano D. Nuno Alvares Pereira também registrava a criação da Escola D. Nuno Alvares Pereira, atestando sua fundação e relevância já naquele período.
Na edição do mes de junho de 1926, a revista Frou-Frou publicou uma foto de uma sala de aula da escola D. Nuno Alvares Pereira no Centro Lusitano D. Nuno Alvares Pereira.
Em 26 de novembro de 1927, o jornal Correio da Manhã noticiou um assalto à sede do Centro Lusitano, localizada na Avenida Passos, 106, onde a escola funcionava. O incidente, apesar de lamentável, serviu para que a nota jornalística salientsasse o 'zelo' e a dedicação inquestionáveis da diretora, professora Antonieta de Souza Mendes, e da diretora adjunta, Isabel Pelegrini, para com o bem-estar e a segurança dos seus estudantes, um valor que permanece vivo em nossa instituição até hoje.
O periódico Fon Fon: Semanario Alegre, Politico, Critico e Esfusiante apresenta no dia 14 de setembro de 1929 imagem de um grupo formado após celebração religiosa na Igreja do Sacramento em sufrágio do Sr Francisco Vieira da Silva, fundados do Centro Lusitano D. Nuno Alvares Pereira.
Em 1934, a revista semanal ilustrada O Cruzeiro, em sua edição de número 3, publicou uma fotografia realizada na residência do Sr. Alfredo Rebelo Nunes. A nota identificava o anfitrião como o presidente do Centro Lusitano Dom Nun'Alvares Pereira e da Escola Nun'Alvares, solidificando a presença da escola nas páginas da imprensa periódica da época.
Em 1938, foi fundada a Escola da Casa de Portugal, localizada na Rua Senador Eusébio, nº 72, no então Distrito Federal, sob a direção do Sr. Celestino Meireles Santos.
Em 3 de novembro de 1939, a Escola da Casa de Portugal foi fundida à Escola Nun’Álvares, mantendo esta denominação, e passou a funcionar na Rua do Bispo, nº 72, no bairro do Rio Comprido. A instituição contava com sete salas de aula, que atendiam turmas do Jardim de Infância, curso Primário e Admissão. Sua infraestrutura incluía biblioteca para alunos e professores, clube de leitura e museu. Segundo registros do 5º Distrito Educacional, a escola mantinha também uma caixa escolar, cooperativa, pelotão de saúde e a Liga da Bondade.
Em 1960, ainda na mesma sede da Casa de Portugal e funcionando em turno distinto da Escola Nun’Álvares, foi criado o Ginásio Sagres, destinado ao antigo curso ginasial. A cerimônia de inauguração ocorreu em 17 de março daquele ano e foi noticiada pelo Jornal Correio da Manhã em sua edição de 19 de março de 1960. O evento integrou os festejos do V Centenário do Infante D. Henrique e marcou a abertura oficial do Ginásio Sagres no prédio da instituição, localizado à Rua do Bispo, nº 72.
Posteriormente, tanto a Escola quanto o Ginásio foram transferidos para o nº 84 da mesma rua.
A atual sede da instituição, localizada na Rua Sampaio Viana, nº 184, no Rio Comprido, foi construída em 1969, passando a abrigar o complexo educacional da Casa de Portugal, composto pela Escola Nun’Álvares e pelo Ginásio Sagres. Com a criação do 2º Ciclo em 1970, atual Ensino Médio, o estabelecimento passou a ser denominado Colégio Sagres.
Em 1975, a Escola Nun’Álvares, que então oferecia apenas o Jardim de Infância e o antigo curso Primário, foi definitivamente incorporada ao Colégio Sagres.
Na edição de 9 de junho de 1984, o Jornal do Comércio destacou, em sua página 8 na seção Portugal na Semana, a celebração dos 56 anos de fundação da Casa de Portugal. A data foi marcada por um momento especial: a reinauguração do auditório do Colégio Sagres, totalmente reformado e remodelado, que passou a chamar-se "Auditório Padre Manuel da Nóbrega". O orador da solenidade foi o Dr. Manoel Joaquim Falcão, Diretor do Liceu Literário Português.
Em dezembro de 2012, as atividades do Colégio Sagres foram adquiridas pelo Liceu Literário Português, instituição fundada em 10 de setembro de 1868 por um grupo de portugueses, à frente dos quais estava o Conde de Alto Mearim, com a finalidade de difundir a cultura e promover o ensino e a instrução, principalmente junto aos portugueses mais jovens que chegavam ao Brasil com conhecimentos limitados e ainda sem uma profissão definida. Era a época dos Liceus de Artes e Ofícios. Além dos cursos do 1º e do 2º grau, ainda no século XIX, o Liceu também ministrou cursos de Astronomia e Arte Náutica, valendo registrar, por curiosidade, que o Imperador D. Pedro II chegou a freqüentar algumas aulas desses cursos.
No dia 11 de junho de 2017, no Rio de Janeiro, foi assinado um memorando de entendimento entre o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, o Real Gabinete Português de Leitura (fundado em 1837), o Liceu Literário Português (fundado em 1868) e a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros D. Pedro V (fundada em 1868), relativo à preservação e à valorização do património cultural português, o qual está na génese da ALC – Associação Luís De Camões.
A denominação do Colégio é uma homenagem à célebre Escola de Sagres, instituição náutica criada pelo infante D. Henrique, no século XV, na região de Sagres, no Algarve, Portugal. Sua história foi narrada por Samuel Purchas, em 1625, com base em escritos de João de Barros. A escola tinha como objetivo formar navegadores — portugueses e estrangeiros — com conhecimentos em cartografia, geografia e astronomia, para servir ao infante nos empreendimentos marítimos que marcariam a Era dos Descobrimentos. Na fachada do Colégio Sagres há um painel de azulejos retratando o Infante D. Henrique no promontório de Sagres.
Colégio Sagres. Painel de azulejos retratando o Infante D. Henrique no promontório de Sagres, 2025 / Acervo do Colégio Sagres
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